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Inteligência Emocional na Escola: Um Pilar para o Bem-Estar e a Aprendizagem turma AFCD_22_25-26

Apresentação

A presente ação de formação de curta duração: “Inteligência emocional na escola: um pilar para a aprendizagem e o bem-estar”, emerge da crescente complexidade do exercício profissional docente e da necessidade de alinhar a prática educativa com evidência científica atual, que reconhece a centralidade das dimensões emocionais nos processos de ensino, aprendizagem e desenvolvimento humano. A docência constitui uma profissão intrinsecamente exigente do ponto de vista emocional, implicando uma gestão contínua de relações interpessoais, diversidade cultural, comportamentos desafiantes e pressões institucionais. Estudos indicam que uma percentagem significativa de professores experiência níveis elevados de stress profissional (Reisa et al., 2018), o que pode comprometer não apenas o seu bem-estar psicológico, mas também a qualidade das práticas pedagógicas, o clima de sala de aula e, consequentemente, os resultados dos alunos. Neste contexto, a inteligência emocional assume-se como uma competência fundamental para a autorregulação emocional, a gestão de situações complexas e a promoção de um exercício profissional mais sustentável. Paralelamente, os dados internacionais evidenciam a urgência de intervenção ao nível da saúde mental em idade escolar. De acordo com a UNICEF e a Organização Mundial da Saúde (2024), cerca de um terço das perturbações mentais manifesta-se antes dos 18 anos, estimando-se que aproximadamente 15% dos adolescentes apresentem problemas de saúde mental, sendo a ansiedade, a depressão e as perturbações do comportamento as mais prevalentes. Neste cenário, a escola assume um papel determinante enquanto contexto privilegiado de promoção de competências protetoras. O Manual para a Promoção de Competências Socioemocionais em Meio Escolar (DGS, 2016) reforça esta perspetiva, ao destacar a importância do desenvolvimento de competências como o autoconhecimento, a autorregulação, a consciência social, as competências relacionais e a tomada de decisão responsável no contexto educativo. A literatura científica tem vindo a consolidar a ideia de que as competências socioemocionais são determinantes para múltiplos resultados ao longo da vida, incluindo o sucesso académico, o bem-estar psicológico, o desempenho profissional e a participação cívica. Estas competências são passíveis de desenvolvimento através de práticas educativas intencionais, sendo o professor um agente central na sua promoção (OECD, 2024). De facto, as práticas pedagógicas, nomeadamente o feedback, a gestão da sala de aula, a qualidade da relação pedagógica e a construção de um clima emocional seguro, são profundamente mediadas pela competência emocional do docente. Importa ainda salientar que a aprendizagem é um processo indissociável das emoções. A evidência aponta que fatores emocionais influenciam diretamente processos cognitivos essenciais, como a atenção, a memória, a motivação e a persistência (OECD, 2025). Assim, a promoção de ambientes emocionalmente seguros e regulados constitui uma condição essencial para a aprendizagem significativa e para o envolvimento dos alunos no processo educativo. Num contexto educativo marcado por crescente diversidade, a inteligência emocional assume também um papel central na promoção da inclusão. A investigação da OCDE evidencia que o sucesso dos alunos em situação de maior vulnerabilidade, em grande medida, da qualidade das relações estabelecidas com os professores, do sentimento de pertença e do apoio emocional disponibilizado em contexto escolar (OECD, 2018). Deste modo, a capacidade dos docentes para compreender, regular e mobilizar emoções torna-se determinante para a construção de ambientes educativos equitativos e inclusivos. Por fim, importa referir que a evidência nacional tem igualmente vindo a demonstrar o impacto positivo de programas estruturados de educação emocional em contexto escolar. Estudos realizados no âmbito do programa EmoAction evidenciam melhorias ao nível do conhecimento emocional e da qualidade de vida dos alunos, reforçando a relevância da integração sistemática destas competências nas práticas educativas (Peniche, 2025). Face ao exposto, torna-se evidente a pertinência de capacitar os docentes para a compreensão e operacionalização da inteligência emocional no contexto escolar, não apenas como estratégia de promoção do seu próprio bem-estar, mas também como ferramenta pedagógica essencial para a aprendizagem, a inclusão e o desenvolvimento integral dos alunos. Esta ação de formação, pela sua natureza breve e aplicada, pretende constituir um espaço de reflexão e aquisição de estratégias práticas, sustentadas em evidência científica, contribuindo para uma escola mais consciente, mais humana e mais eficaz.

Destinatários

Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial

Releva

Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.

Objetivos

Desenvolver a compreensão da inteligência emocional como competência central no exercício da docência, promovendo a sua aplicação prática na gestão emocional, no clima de sala de aula e na promoção da aprendizagem e do bem-estar. Objetivos específicos No final da ação, os formandos deverão ser capazes de: 1. Reconhecer a relevância da inteligência emocional no exercício profissional docente • Compreender o impacto das emoções: o no bem-estar do professor o na relação pedagógica o nos processos de ensino e aprendizagem 2. Identificar a relação entre inteligência emocional e saúde mental em contexto escolar • Reconhecer sinais de desgaste emocional e stress profissional • Compreender o papel da escola na promoção da saúde mental 3. Compreender os principais componentes da inteligência emocional • Autoconhecimento • Autorregulação emocional • Empatia • Competências sociais 4. Refletir sobre o impacto das próprias emoções na prática pedagógica • Analisar situações concretas do quotidiano escolar • Identificar padrões emocionais na interação com alunos 5. Aplicar estratégias simples de regulação emocional no contexto profissional • Técnicas de autorregulação (ex.: pausa, respiração, reformulação cognitiva) • Gestão de situações emocionalmente exigentes 6. Promover práticas pedagógicas emocionalmente responsivas • Utilizar estratégias que favoreçam: o o sentimento de pertença o a segurança emocional o o envolvimento dos alunos 7. Integrar a inteligência emocional como ferramenta de promoção da inclusão • Reconhecer o papel das emoções na inclusão de alunos • Ajustar práticas pedagógicas à diversidade emocional e cultural 8. Identificar estratégias práticas de promoção da inteligência emocional na escola • No contexto da sala de aula • Na relação com alunos e famílias • Na cultura de escola

Conteúdos

Conteúdos 1. A docência como profissão emocional • Exigências emocionais do exercício docente • Stress profissional e impacto na prática pedagógica • Relação entre bem-estar docente e qualidade das aprendizagens 2. Saúde mental em contexto escolar: desafios e responsabilidades • Dados atuais sobre saúde mental em crianças e jovens • A escola como contexto de promoção de saúde mental • Papel do professor enquanto agente de proteção 3. Inteligência emocional: conceito e fundamentos • Definição de inteligência emocional • Principais modelos teóricos (Goleman, 1995) • Componentes da inteligência emocional: o Autoconhecimento o Autorregulação o Motivação o Empatia o Competências sociais 4. Inteligência emocional e aprendizagem • Relação entre emoção e cognição: o atenção o memória o motivação • Impacto do clima emocional na sala de aula • Segurança emocional como condição para aprender 5. Inteligência emocional e inclusão • Emoções, pertença e sucesso escolar • Desafios emocionais de alunos em contextos de diversidade (ex.: migrantes) • Papel do professor na construção de ambientes inclusivos 6. Estratégias de regulação emocional no contexto docente • Consciência emocional no momento pedagógico • Técnicas simples de autorregulação: o pausa consciente o respiração o reformulação cognitiva • Gestão de situações emocionalmente exigentes 7. Promoção da inteligência emocional na sala de aula • Práticas pedagógicas emocionalmente responsivas: o feedback construtivo o validação emocional o promoção da participação • Construção de clima de segurança e pertença • Integração de competências socioemocionais no quotidiano 8. Evidência de impacto de programas de educação emocional • Resultados de intervenções estruturadas (ex.: EmoAction): o melhoria do conhecimento emocional o impacto no bem-estar e qualidade de vida Referências Bibliográficas Direção-Geral da Saúde. (2016). Manual para a promoção de competências socioemocionais em meio escolar. Ministério da Saúde. Linzarini, A., & Catarino da Silva, D. (2024). Innovative tools for the direct assessment of social and emotional skills (OECD Education Working Papers No. 316). OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/eed9bb04-en Organisation for Economic Co-operation and Development. (2018). The resilience of students with an immigrant background: Factors that shape well-being. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/9789264292093-en Organisation for Economic Co-operation and Development. (2018). The resilience of students with an immigrant background: Factors that shape well-being. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/9789264292093-en Organisation for Economic Co-operation and Development. (2025). Education for human flourishing: A conceptual framework. OECD Publishing. Peniche, S. M. S. (2025). Emoaction: Efeitos de um programa no conhecimento emocional e na qualidade de vida em alunos do 1.º ciclo [Dissertação de mestrado, Universidade da Beira Interior].

Formador

Rosália Maria da Rocha Coelho

Cronograma

Sessão Data Horário Duração Tipo de sessão
1 22-04-2026 (Quarta-feira) 16:00 - 19:00 3:00 Presencial
Início: 22-04-2026
Fim: 22-04-2026
Acreditação: AFCD_22_24-25
Modalidade: ACD
Pessoal: Docente
Regime: Presencial
Duração: 3 h
Local: AE de Sever do Vouga

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