A mente também ensina: Compreender emoções, pensamentos e respostas aos eventos de vida turma AFCD 10_26_27
Apresentação
A profissão docente caracteriza-se por elevadas exigências cognitivas, emocionais e relacionais, decorrentes da complexidade das práticas pedagógicas, da gestão da sala de aula, da diversidade de necessidades dos alunos e das interações quotidianas com famílias, colegas e outros profissionais. Estas exigências, associadas à intensificação do trabalho e aos fatores de risco psicossociais presentes nos contextos educativos, podem contribuir para níveis elevados de stress profissional, desgaste emocional e comprometimento do bem-estar psicológico dos professores (Wagner et al., 2024; Bjärehed & Bjärehed, 2025). A investigação tem evidenciado que o bem-estar psicológico dos professores se relaciona com a qualidade das interações pedagógicas, a gestão dos comportamentos dos alunos e a capacidade de responder de forma construtiva a situações emocionalmente exigentes. Neste sentido, a promoção das competências socioemocionais dos docentes constitui uma dimensão relevante do desenvolvimento profissional, com implicações não apenas para a saúde e o bem-estar individual, mas também para a qualidade das relações educativas e dos ambientes de aprendizagem (Cavioni et al., 2024; Wagner et al., 2024). A forma como os professores interpretam as situações do quotidiano escolar influencia as suas respostas emocionais e comportamentais. Os processos de avaliação cognitiva, os pensamentos automáticos e as estratégias de regulação emocional assumem, por isso, particular relevância na compreensão e gestão do stress profissional. Desenvolver a capacidade de reconhecer emoções, identificar padrões de pensamento e analisar diferentes interpretações de uma mesma situação pode favorecer respostas mais conscientes, flexíveis e ajustadas aos desafios da prática docente. Neste enquadramento, a ação de formação “A Mente Também Ensina: Compreender Emoções, Pensamentos e Respostas aos eventos de vida” pretende proporcionar aos professores conhecimentos e ferramentas práticas que promovam a autoconsciência emocional, a compreensão da relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e o desenvolvimento de estratégias de autorregulação aplicáveis ao quotidiano profissional. Privilegiando uma metodologia participativa e experiencial, através da análise de situações concretas do contexto escolar, da identificação de pensamentos automáticos e da experimentação de estratégias de reavaliação cognitiva, esta formação procura favorecer a transferência das aprendizagens para a prática profissional. A pertinência desta abordagem encontra suporte em estudos que destacam o potencial de intervenções formativas centradas nas competências emocionais, na atenção plena e no autocuidado para promover o bem-estar dos professores (Ansley & Wander, 2021; Cavioni et al., 2024; Wagner et al., 2024). Assim, esta ação justifica-se pela necessidade de capacitar os docentes para compreenderem melhor o seu funcionamento emocional e cognitivo, reconhecerem fatores que influenciam as suas respostas ao stress e desenvolverem recursos pessoais que contribuam para uma atuação profissional mais consciente, equilibrada e relacionalmente segura. Ao investir nas competências emocionais dos professores, procura-se contribuir simultaneamente para o seu desenvolvimento pessoal e profissional e para a construção de ambientes educativos mais positivos, inclusivos e promotores do bem-estar.
Destinatários
Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial. Para efeitos de aplicação do artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação não releva para efeitos de progressão em carreira.
Objetivos
Objetivo geral Promover o desenvolvimento de competências de autoconsciência emocional e cognitiva nos professores, através da compreensão da relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, capacitando-os para reconhecer padrões de resposta ao stress e adotar estratégias de autorregulação emocional no exercício da profissão docente. Objetivos específicos No final da ação de formação, os participantes deverão ser capazes de: Compreender os processos básicos do funcionamento emocional, reconhecendo a interação entre pensamentos, emoções, respostas fisiológicas e comportamentos em situações do quotidiano profissional. Reconhecer a influência dos processos de interpretação e avaliação cognitiva na experiência emocional e nas respostas ao stress em contexto escolar. Identificar pensamentos automáticos e padrões cognitivos que podem contribuir para a intensificação do stress e para respostas emocionais pouco ajustadas às exigências da prática docente. Distinguir factos, interpretações e emoções, explorando diferentes perspetivas perante situações desafiantes do quotidiano escolar. Experimentar estratégias simples de reavaliação cognitiva e autorregulação emocional, favorecendo respostas mais conscientes, flexíveis e ajustadas às situações profissionais. Refletir sobre o impacto dos processos emocionais e cognitivos na qualidade das relações pedagógicas, identificando possibilidades concretas de aplicação das aprendizagens à prática docente.
Conteúdos
Bloco 1 – Compreender o funcionamento emocional: o nosso software emocional As emoções e a sua função adaptativa no comportamento humano. • O funcionamento emocional: interação entre pensamentos, emoções, respostas fisiológicas e comportamentos. • O papel dos processos de interpretação e avaliação cognitiva na experiência emocional. • A influência das emoções na atenção, na tomada de decisão e nas relações interpessoais. • O funcionamento emocional no quotidiano docente: situações desafiantes e respostas ao stress. Bloco 2 – A forma como pensamos influencia a forma como sentimos • A relação entre acontecimentos, interpretações e respostas emocionais. • Pensamentos automáticos: conceito, características e influência no comportamento. • Principais padrões de pensamento associados ao stress: o Catastrofização; o Pensamento dicotómico; o Generalização excessiva; o Leitura da mente; o Exigências rígidas e autocrítica. • Distinção entre factos, interpretações e emoções. • Identificação de pensamentos automáticos em situações do quotidiano escolar. Bloco 3 – Pensar de forma diferente para responder de forma mais consciente • A influência da avaliação cognitiva nas respostas ao stress. • Reavaliação cognitiva: compreender e explorar interpretações alternativas. • Flexibilidade cognitiva e tomada de perspetiva perante situações desafiantes. • Estratégias práticas para questionar pensamentos automáticos: o Identificação de evidências que sustentam ou contrariam uma interpretação; o Exploração de explicações alternativas; o Formulação de pensamentos mais equilibrados e ajustados à realidade. • Aplicação das estratégias a situações concretas da prática docente. Bloco 4 – Da compreensão à ação: competências emocionais na prática • Autoconsciência emocional e cognitiva no exercício da profissão docente. • Reconhecimento de situações desencadeadoras de respostas emocionais intensas. • A importância da pausa entre o estímulo e a resposta. • Relação entre autorregulação emocional, comunicação e qualidade das interações pedagógicas. • Análise de situações-problema do quotidiano escolar. • Identificação de estratégias e compromissos de aplicação das aprendizagens à prática profissional.
Observações
Referências Bibliográficas Ansley, B. M., & Wander, M. A. (2021). Self-care options for resilient educators (SCORE) teaches aspiring teachers how to manage stress in light of COVID-related disruptions. OBM Integrative and Complementary Medicine, 6(4), Article 39. https://doi.org/10.21926/obm.icm.2104039 Beck, A. T. (1976). Cognitive therapy and the emotional disorders. International Universities Press Beck, J. S. (2020). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (3rd ed.). Guilford Press. Bjärehed, J., & Bjärehed, M. (2025). Compassion fatigue in Swedish teachers: Reduced compassion and the role of teacher–student interaction quality and professional self-care. School Mental Health, 17, 1083–1096. https://doi.org/10.1007/s12310-025-09800-y Canonizado, I. C. (2024). Self-care practices and work-life balance of elementary teachers: Basis for a wellness program. International Journal of Education Humanities and Social Science, 7(6), 699–713. https://doi.org/10.54922/IJEHSS.2024.0871 Cavioni, V., Conte, E., & Ornaghi, V. (2024). Promoting teachers’ wellbeing through a serious game intervention: A qualitative exploration of teachers’ experiences. Frontiers in Psychology, 15, Article 1339242. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2024.1339242 Osman, S., Hirsch, C., Jalal, Z., & Paudyal, V. (2024). Collaborative approaches to health education: Perspectives of parents and teachers on self-care and managing common health issues in UK primary schools. BMC Health Services Research, 24, Article 1315. https://doi.org/10.1186/s12913-024-11724-3 Park, N.-S., Song, S.-M., & Kim, J. E. (2020). The mediating effect of childcare teachers’ resilience on the relationship between social support in the workplace and their self-care. International Journal of Environmental Research and Public Health, 17(22), Article 8513. https://doi.org/10.3390/ijerph17228513 Posluns, K., & Gall, T. L. (2020). Dear mental health practitioners, take care of yourselves: A literature review on self-care. International Journal for the Advancement of Counselling, 42, 1–20. https://doi.org/10.1007/s10447-019-09382-w Skovholt, T. M., & Trotter-Mathison, M. (2016). The resilient practitioner: Burnout and compassion fatigue prevention and self-care strategies for the helping professions (3rd ed.). Routledge. Wagner, I., Noichl, T., Cramer, M., Dlugosch, G. E., & Hosenfeld, I. (2024). Moderating personal factors for the effectiveness of a self-care- and mindfulness-based intervention for teachers. Teaching and Teacher Education, 144, Article 104576. https://doi.org/10.1016/j.tate.2024.104576